É possível emagrecer 96 kg? Carla conseguiu: “Voltei a ter vontade de viver”
http://www.urgentenews.com.br/wp-content/uploads/thumbnail-for-365395.jpg
Mulher
eyJfb3JpZ2luYWxfdXJsIjoiaHR0cDpcL1wvZGVsYXMuaWcuY29tLmJyXC9hbGltZW50YWNhby1lLWJlbS1lc3RhclwvMjAxOS0wNi0yNVwvZS1wb3NzaXZlbC1lbWFncmVjZXItOTYta2ctY2FybGEtY29uc2VndWl1LXZvbHRlaS1hLXRlci12b250YWRlLWRlLXZpdmVyLmh0bWwiLCJfd3BfY3Jhd2xlcl9zY2hlZHVsZV9vcmlnaW5hbF9saW5rIjoieWVzIiwiX3dwX2NyYXdsZXJfc2NoZWR1bGVfb3JpZ2luX2xvZ28iOiJodHRwOlwvXC93d3cudXJnZW50ZW5ld3MuY29tLmJyXC93cC1jb250ZW50XC91cGxvYWRzXC8yMDE4XC8wMVwvbG9nby1pZy1mdy5wbmciLCJfd3BfY3Jhd2xlcl9zY2hlZHVsZV9vcmlnaW5fbG9nb19saW5rIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy5pZy5jb20uYnJcLyIsIl93cF9jcmF3bGVyX3NjaGVkdWxlX2Nhbm9uaWNhbF9saW5rIjoieWVzIiwiX3dwX2NyYXdsZXJfc2NoZWR1bGVfZm9udGUiOiJGb250ZTogSUcgTXVsaGVyIn0=

Com 202 kg, Carla Maria Pedro já não se reconhecia mais. No auge do seu peso, a catarinense sofria com os “olhares aterrorizados” das pessoas, se sentia humilhada em situações rotineiras para a maioria da população, como o simples ato de pegar um ônibus,  mas sabia da necessidade de precisar mudar: “Passei a não ser mais eu mesma, quase não socializava, não sorria mais”. A mudança começou em 2015, mas a história de como ela chegou à obesidade mórbida teve início ainda na infância.

Leia também: Jovem elimina 26 kg em 9 meses e dá dicas para emagrecer: “Acredite em você”

mulher consegue emagrecer 96 kg
Arquivo pessoal

Carla Maria foi de 202 kg para 106 kg com uma dieta menos rigorosa e exercícios físicos mais simples


Em relato ao Delas , Carla conta que sua alimentação já não era adequada quando criança. Segundo a catarinense, sua mãe lhe dava uma mamadeira reforçada e entendia que um choro era sinônimo de fome, então dava outra. Conforme o tempo foi passando, ela foi crescendo, assim como a compulsão por comida e as dificuldades para emagrecer .

“Comia muito bolo e bolachas. Tínhamos uma conta na padaria e no mercadinho e sempre que minha mãe pedia para eu ir comprar algo que estava faltando em casa, eu acrescentava algo para mim, como, por exemplo, umas três coxinhas, e comia escondido na rua antes de chegar em casa. A conta sempre estourava”, afirma.

Luta contra o preconceito e vídeos no YouTube

obesidade
Shutterstock

Carla lutava diariamente contra o preconceito e relata ter vivido situações “humilhantes” devido ao peso elevado


A obesidade chegou a atrapalhar um aspecto muito importante da vida da catarinense: os estudos. “Deixei de estudar, fiz apenas o ensino fundamental. Não consegui aguentar a pressão que sofria com as chacotas dos meus colegas de classe”, explica Carla.

Estar acima do peso tornava até o fato de pegar um ônibus uma verdadeira batalha. “No ônibus que eu pegava, tinham várias pessoas da escola e todos presenciavam a humilhação de eu pagar a passagem e pedir para o motorista para abrir as portas do fundo”, relata.

“Tinha gente que postava vídeos meus no YouTube para que todos pudessem assistir e rir de mim, na época. Quando comecei a trabalhar era outro preconceito. Por muitas vezes eu deixei de conseguir o emprego porque eu era obesa”, lamenta a jovem de 26 anos, que hoje trabalha como empregada doméstica.

Leia também: Instagram para emagrecer? Jovem elimina 63 kg com ajuda da rede social

Início do processo de emagrecimento

perder peso
Shutterstock

Carla quis fazer cirurgias para emagrecer, mas não conseguiu. Ela também tinha dificuldade em seguir as dietas dos médicos


A catarinense ressalta que sempre quis perder peso  e que investiu em inúmeras dietas e procedimentos para alcançar esse objetivo. Ela tentou fazer uma cirurgia bariátrica três vezes, mas não dava continuidade, e acabou sendo vítima do efeito sanfona. O peso elevado ainda fez com que suas gestações (ela tem três filhos) fossem de risco.

“Sempre lidei com os olhares aterrorizado das pessoas, adultos e crianças, especialmente quando levava meus filhos para a escola. Ser obeso é sempre lidar com esses olhares”, diz Carla. A vontade de colocar um ponto final na obesidade e conquistar hábitos de vida mais saudáveis surgiu em 2015, quando ela voltava do trabalho com uma amiga.

Ela notou que o ônibus estava vazio e pediu ao motorista para entrar pela porta traseira. “Ele me olhou de um jeito de cima a baixo e disse: ‘Seu lugar é na frente’. Mas ele falou de um jeito tão grosseiro que eu fiquei muito mal e a amiga que estava comigo se sentiu ofendida e até discutiu com ele”, relembra. “Entrei na frente e as pessoas que estavam sentadas foram passando para trás. Foi tudo muito constrangedor.”

A situação foi tão embaraçosa para Carla que ela chegou a fazer uma queixa formal com um dos fiscais da empresa de ônibus em questão, mas ele também não deu muita importância. “Fiquei tão nervosa e envergonhada que acabei desmaiando e tendo uma convulsão. As pessoas começaram a me ajudar, e depois, quando tudo passou, percebi que não queria mais aquela vida pra mim”, explica.

Sem dietas mirabolantes e sem cirurgia

dieta para perder peso
Shutterstock

A jovem percebeu que teria que emagrecer ao seu próprio modo e começou a reeducar sua alimentação e hábitos


Depois deste episódio, quando pesava 200 kg, a jovem quis tentar, mais uma vez, fazer uma cirurgia bariátrica . A dieta rigorosa e o custo elevado dos produtos indicados pelos médicos, no entanto, a desanimaram. Segundo ela, a quantidade de comida era pequena e não proporcionava sensação de saciedade.

Ao notar que tinha muita dificuldade em seguir a cartilha comum de emagrecimento, como fazer dietas e alguns exercícios, Carla decidiu reeducar sua alimentação ao seu próprio modo.

“Para mim era muito difícil fazer uma simples caminhada porque via o olhar de julgamento das pessoas. Comecei a frequentar a academia para terceira idade, fazer caminhadas todos os dias e reduzir a porção dos meus alimentos, então comecei a emagrecer”, celebra.

Leia também: Jovem que chegou a pesar 138 kg consegue emagrecer 46 kg com medidas simples

As refeições mudaram e, ao invés de alimentos gordurosos e muita comida, a jovem escolheu saladas e reduziu a quantidade de alimentos nos pratos. Além disso, o óleo virou um ingrediente proibido e a água passou a ser sua maior aliada.

“Decidi continuar comendo tudo o que comia, mas ajustando as porções. Uma porção bem grande do meu prato – mais da metade – era de salada, no restante acrescentava arroz, feijão e uma carne magra. Optava por frango, peixe e carne de porco sequinha, sem gordura.”

A “nova Carla” ama atividades físicas

emagrecer com zumba
Shutterstock

Depois de começar a praticar zumba, Carla se apaixonou ainda mais pelas atividades físicas, além de emagrecer mais


Com o início da sua jornada de emagrecimento, Carla Maria quis potencializar a queima de gordura e dar adeus ao sedentarismo. Para isso, ela colocou os exercícios físicos em sua rotina aos poucos.

“Hoje, faço zumba duas vezes por semana e percorro 15 km todos os dias, alternando entre caminhada e corrida. Comecei a correr depois das aulas de zumba porque aumentou a minha resistência”, destaca. “Nesse processo inteiro estou me redescobrindo e hoje sei que a nova Carla é apaixonada por atividade física”, comemora.

Menos 96 kg e contando…

perder peso
Arquivo pessoal

A calça que Carla costumava usar quando estava acima do peso agora cabe até duas pessoas após sua reeducação alimentar


Todo o esforço de Carla foi recompensado. Em dois anos e nove meses, com a reeducação alimentar e as caminhadas diárias, ela emagreceu 49 kg.

Em setembro de 2018 a zumba passou a fazer parte de sua vida, e o resultado ficou evidente na balança e no bem-estar. “Fui muito bem recebida por todos e ali renasci. Voltei a sorrir e a ter vontade de viver de novo. Não consigo nem explicar a sensação que tenho quando faço uma hora de aula de zumba, é maravilhoso, é uma sensação única”, enfatiza.

Após nove meses de aulas, ela já eliminou mais 47 kg, o que totaliza 96 kg perdidos. “Você se olhar no espelho e você gostar do que está vendo, não tem preço. Voltei a ser a Carla animada e divertida que por anos ficou adormecida. Sou feliz hoje”, comenta a jovem.

O próximo passo

Agora com 106 kg, Carla diz sofrer com o excesso de pele e sonha em fazer uma cirurgia para a remoção das peles que ficaram com o emagrecimento. De acordo com ela, isso não é apenas uma questão estética.

“É como seu meu corpo fosse um P vestido em um GG. Tem muita coisa que precisa ser eliminada, mas, infelizmente, não tenho convênio médico e nem condições de pagar cirurgias reparadoras. Estou tentando pelo SUS [Sistema Único de Saúde], mas o processo não é tão simples assim”, afirma.

Leia também: Blogueira abandona dieta e diz estar mais feliz “cheia de curvas”

Contudo, ela comemora os resultados satisfatórios que teve até agora e valoriza a sua batalha para emagrecer . “Não é fácil, é muita luta e é preciso ter muito amor próprio. Não é impossível. Por muitas vezes eu estava com bolhas e meus pés estavam sangrando, mas mesmo assim eu colocava o tênis e fazia minha caminhada diária. Não desista!”