Frente debate importância da educação física

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A atividade física no ambiente escolar deve ser encarada como uma atividade multidisciplinar e não mera disciplina coadjuvante para divertir os alunos, explicou o doutor em neurofisiologia cardiovascular e professor associado da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Fabian Tadeu do Amaral, durante reunião promovida pela Frente Parlamentar da Educação Física nesta quarta-feira (13).

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Presidido pelo deputado Gandini (Cidadania), o colegiado tratou do tema “Projetos e Práticas para a Saúde na Educação Física Escolar”, no Plenário Rui Barbosa da Assembleia Legislativa (Ales).

“Educação física não é um movimento humano pelo movimento. A educação física tem que ser encarada como uma atividade que possa dar sentido à saúde do aluno”, defendeu o professor Amaral.

Para ele, quando se fala de educação física como um tema transversal, deve ser assegurada uma ação integrada dela com a saúde, integrando a comunidade, família e a educação no esforço de um bem-estar.

Amaral revelou que há alto índice de obesidade constatada nas crianças do País, portanto, bem acima do peso ideal. A obesidade provoca, por exemplo, doença cardiológica e tem tido alta incidência na juventude.

O professor destacou ainda que é importante a interação do profissional de educação física com o de saúde. Ele faz questão de enfatizar que não se trata de diagnosticar, mas identificar alguma anomalia no aluno e relatar.

As duas áreas, ressaltou o professor, no contexto escolar envolvem o aspecto multidisciplinar para o aluno, professor e toda a comunidade. Para Amaral, isso requer, inclusive, boas condições de trabalho e profissionais com salários justos.

Carga horária

O professor Amaral questionou ainda o tempo desta disciplina para as crianças na rede escolar. Segundo ele, a carga horária tem de ser compatível com as necessidades das crianças e não é somente prática, mas envolve informação teórica.

A professora da Multivix, especialista na disciplina de crescimento e motricidade humana, Eliane Cunha Gonçalves, apontou que o aluno não tem conseguido o objetivo da educação física por falta de carga horária, que deveria ser de 300 minutos por semana, como recomenda a ONU. Ela reafirmou que isso tem como consequência, entre outras, a obesidade nas crianças e maior vulnerabilidade da saúde da juventude.

O representante da Associação dos Profissionais de Educação Física do Espírito Santo e do Conselho Regional de Educação Física, Leonardo Rêgo, concordou com a existência da visão equivocada, segundo ele, que se tem do profissional da educação física nas escolas.

Rêgo também defendeu que é preciso aumentar a carga horária, mas com qualidade. Ele também entende que é preciso dar aulas teóricas e não apenas a prática de exercícios. “Ajudaria muito a desmistificar de que o profissional só serve para jogar bola”, disse.

Transversalidade

Uma razão ressaltada por Leonardo Rêgo para a necessidade de aumentar a carga horária nas escolas para a disciplina de educação física é a saúde do aluno. A atividade pode ajudar a combater o alto índice de depressão constatado em jovens de 15 a 18 anos, entre outros benefícios.

Outro aspecto levantado durante a reunião foi a necessidade de a formação do profissional de educação física garantir capacidade multidisciplinar do professor, envolvendo não apenas a educação física e saúde, mas a ética, a educação ambiental e cidadã para o jovem, além de outras áreas.

A reunião da Frente Parlamentar da Educação Física contou também com a presença do deputado Luciano Machado (PV), que é secretário-executivo do colegiado, além do próprio deputado Gandini.

Fonte: Assembléia Legislativa do ES