“Índios não entendem celibato”, diz bispo no Sínodo da Amazônia

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Papa com indígenas no Vaticano no Sínodo da Amazônia arrow-options
Reprodução/Instagram Papa Francisco

O papa Francisco recebeu indígenas e representantes da sociedade civil no Sínodo da Amazônia

O bispo emérito do Xingu, Erwin Kräutler, afirmou nesta quarta-feira (9) que a ordenação de homens casados como padres é a única alternativa para garantir a presença da Igreja Católica na Amazônia.

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Essa é uma das propostas mais polêmicas em discussão no Sínodo da Amazônia  e já provocou até acusações de heresia por parte do clero ultraconservador.

“Digo com toda a sinceridade: não existe outra possibilidade, os povos indígenas não entendem o celibato . Quantas vezes, chegando em um vilarejo, me perguntaram onde estava minha esposa. Quando ouviam que eu não era casado, eles se enterneciam como se eu lhes desse pena e diziam ‘pobrezinho'”, contou Kräutler no Sínodo.

A ideia em discussão na assembleia episcopal prevê a extensão do sacerdócio aos chamados “viri probati”, homens casados (preferivelmente indígenas), de fé comprovada e capazes de administrar espiritualmente uma comunidade de fiéis.

“O povo indígena não consegue entender essa coisa, que o homem não seja casado, que não tenha uma mulher”, acrescentou o bispo emérito do Xingu . Segundo ele, milhares de comunidades na Amazônia recebem a Eucaristia apenas duas ou três vezes por ano devido à falta de padres.

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“Para a Igreja Católica, a Eucaristia está no centro, mas colocamos o celibato acima da Eucaristia”, acrescentou. Outra proposta em discussão no Sínodo é a criação de diaconisas que possam presidir cerimônias litúrgicas. “Dois terços dessas comunidades sem sacerdotes são coordenados por mulheres, então devemos pensar nisso”, disse Kräutler.

O Sínodo da Amazônia vai até 27 de outubro e discute novas formas de evangelização de povos indígenas e a proteção do meio ambiente.

Fonte: IG Mundo