Tática de se expor ao mundo é trunfo do Brasil por soberania no Parapan 2019

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Divulgação / Gui Christ / CPB

Alguns atletas brasileiros do Parapan 2019, em Lima, no Peru

Duas das principais forças esportivas paralímpicas das Américas, Brasil e Estados Unidos estiveram lado a lado na última quinta-feira, durante a cerimônia de hasteamento da bandeira dos Jogos Parapan-Americanos de Lima , no Peru. Uma diferença, no entanto, era evidente entre as delegações para quem conhece o movimento a fundo.

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Enquanto o time verde e amarelo ostenta o que tem de melhor no Parapan , desde a nova geração promissora até astros do nível do nadador Daniel Dias, do judoca Antônio Tenório e do jogador de goalball Leomon Moreno, que foi o porta-bandeira da delegação na abertura, o rival da América do Norte apresenta caras menos famosas, que ainda buscam rodagem no cenário internacional. Os Jogos de Lima são uma boa oportunidade para isto.

“Os Estados Unidos trazem aquilo que é conveniente para eles no momento. Eles trouxeram, sim, atletas que precisam competir e deixarão outros nomes para o Mundial. O Brasil tem trabalhado com uma estratégia um pouco diferente e não tem tido medo de se mostrar ao mundo. Se fizer um retrato do mapa das competições, nós talvez sejamos o país que mais compareceu a eventos”, afirmou Alberto Martins, diretor técnico do CPB e chefe de missão.

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A despreocupação dos americanos com o Parapan reforça a soberania do Brasil, que liderou o quadro de medalhas nas últimas três edições do evento. Em Toronto 2015, os Estados Unidos ficaram em terceiro lugar, com 40 ouros. O Brasil, líder, chegou a 109. O Canadá, em segundo, levou 50.

Daniel Dias estará no Parapan 2019 em busca de mais medalhas arrow-options
Rio 2016/REPRODUÇÃO

Daniel Dias estará no Parapan 2019 em busca de mais medalhas

Já na Paralimpíada do Rio 2016, um ano depois, os americanos encerraram na quarta colocação, com 40 ouros. Os brasileiros terminaram em oitavo, com 14. A China, que liderou, com 107 medalhas douradas, também apostou na estratégia de “esconder o jogo” e levar atletas até então desconhecidos, sobretudo na natação. O CPB ( Comitê Paralímpico Brasileiro ) critica a atitude e busca aproveitar as oportunidades que tem de difundir o esporte paralímpico.

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“Os Estados Unidos aparecem pouco. A China não se mostra ao mundo de forma nenhuma. Não temos tido esse receio. Acreditamos que temos de contribuir para a divulgação do esporte paralímpico. Aparecer no mundo e no país é muito importante para o desenvolvimento. Se estivermos bem preparados, chegaremos aonde pretendemos”, completou o dirigente.

Basquete em cadeira de rodas do Brasil busca medalha no Parapan 2019 arrow-options
CPB / Divulgação

Basquete em cadeira de rodas do Brasil busca medalha no Parapan 2019

Um total de 337 brasileiros (216 homens e 121 mulheres) entrará em ação na capital peruana. A delegação teve um aumento de 23,8% em relação a Toronto 2015, quando 272 atletas (176 homens e 96 mulheres) representaram o país. A proporção entre os gêneros se manteve a mesma: 64% competidores são do sexo masculino e 36% são do feminino.

Vôlei sentado e rúgbi em cadeira de rodas já fizeram suas estreias no Parapan nesta sexta-feira. As disputa do tênis de mesa terão sequência. 

A DELEGAÇÃO BRASILEIRA DO PARAPAN 2019 EM NÚMEROS

GÊNERO
Masculino : 216 atletas – 64%
Feminino : 121 atletas – 36%
Total : 337 atletas

ESPORTES
Tênis em cadeira de rodas : 5 atletas (1,5%)
Taekwondo : 7 (2,1%)
Tiro Esportivo : 8 (2,4%)
Futebol de cinco : 10 (3,0%)
Futebol de sete : 12 (3,6%)
Goalball : 12 (3,6%)
Bocha : 13 (3,9%)
Judô : 13 (3,9%)
Ciclismo (estrada) : 14 (4,2%)
Parabadminton : 14 (4,2%)
Halterofilismo : 21 (6,3%)
Basquete em cadeira de rodas : 24 (7,2%)
Vôlei sentado : 24 (7,2%)
Tênis de mesa : 30 (9,0%)
Natação : 40 (11,9%)
Atletismo : 78 (23,3%)

TIPO DE DEFICIÊNCIA
Física : 245 (72,7%)
Visual : 67 (19,9%)
Intelectual : 5 (1,5%)
Ausente : 20 (5,9%)

IDADE
A caçula : Maria Clara Augusto (atletismo, classe T47) – 15 anos
O mais velho : Ecildo Oliveira (tênis de mesa, classe 4) – 56 anos