Restrições no metrô deixam paulistanos sem saber como voltar para casa

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Anaís Motta/iG São Paulo – 14.6.19

Fila de passageiros para acessar as plataformas da estação Consolação, da linha 2-Verde do Metrô

Apenas um funcionário se desdobra para orientar os passageiros que desembarcam na estação Alto do Ipiranga no início da noite desta sexta-feira (14). Devido à  greve geral promovida por diversas categorias em protesto contra a proposta de reforma da Previdência, é esta estação que tem servido como ponto final das operações da linha 2-Verde do Metrô .

Passageiros que habitualmente seguiriam viagem até as estações seguintes (Sacomã, Tamanduateí e Vila Prudente) foram obrigados a buscar meios alternativos para voltar para casa após o fim do expediente. Do lado de fora da estação Alto do Ipiranga, na Avenida Doutor Gentil de Moura, a aglomeração de pessoas no ponto de ônibus foi grande. Enquanto isso, outro grupo esperava impaciente por motoristas que atendem por aplicativos (que estão com tarifas mais caras, devido à alta demanda). Muitos decidiram acionar parentes e amigos para conseguir uma carona.

A situação se repetiu em outros pontos da cidade . Desde manhã, os passageiros que utilizam a linha 1-Azul só podem fazer o trajeto entre as estações Saúde e Luz. Na linha 3-Vermelha, a circulação de trens é restrita ao trecho da estação Marechal Deodoro à Penha.

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Anaís Motta/iG São Paulo – 14.6.19

Fila de espera por motoristas particulares

“Eu moro na Vila Prudente. Normalmente, vou até a estação Tamanduateí e de lá pego um ônibus até em casa. Não dá nem 15 minutos”, relata o contador Danilo Fernandes, de 25 anos, um dos passageiros ‘sem rumo’ na estação Alto do Ipiranga. “Hoje, eu vim da estação Brigadeiro até aqui e agora estou esperando um Uber. Normalmente dá uns R$ 15. Hoje, no Juntos (opção mais barata do aplicativo Uber ), tá dando R$ 20. No UberX, eu vi que tá R$ 32, então é mais que o dobro do normal”, reclama.

“Eu acho essa greve ridícula. Dizem que é pela reforma, mas não é. É por um motivo político. Ou para tudo, ou não para nada. Ou faz protesto de fim de semana, como aquele último que teve no domingo. O trabalhador não vai deixar de ir trabalhar por causa de meia greve”, esbravejou.

Situação parecida foi enfrentada pelo recepcionista Alessandro Guedes da Silva, de 24 anos. “Eu trabalho perto da estação Paraíso. Normalmente, vou de metrô até a Vila Prudente, aí pego o monotrilho até Vila União e de lá pego um ônibus até Sapopemba. Está sendo um sacrifício voltar pra casa. Vim até o Ipiranga e agora vou pegar um Uber, não tem jeito. Vai dar R$ 80, tô esperando há uns 40 minutos, mas não tem o que fazer, né? Eu não sei se a greve vai fazer algo melhorar ou piorar, mas hoje está prejudicando o trabalhador”, lamentou.

O monotrilho citado por Alessandro é o da linha 15-Prata, que não operou neste dia de greve . Já as linhas 4-Amarela e 5-Lilás, cuja operação é de responsabilidade de concessionárias, operam normalmente nesta sexta-feira.

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Por conta dos transtornos no transporte público , muitos moradores da região metropolitana de São Paulo decidiram tirar o carro da garagem nesta sexta. Pela manhã, o congestionamento foi acima da média. Já no fim da tarde, por volta das 18h, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da capital contabilizava 90 quilômetros de filas na cidade (índice considerado dentro da média para o dia e horário). 

As vias com pior trânsito neste início de noite são a Marginal Tietê, no sentido Ayrton Senna, o Corredor Norte-Sul e as Avenidas Rebouças e Eusébio Matoso.

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Fonte: IG Mundo