Três carros que perderam relevância no mercado

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O mercado não perdoa, mata. Por isso, alguns carros que num passado recente foram relevantes ou até mesmo líderes de suas categorias, estão em baixa atualmente. Vivem um momento nada glorioso e alguns correm o risco até de cair no esquecimento. Estamos falando de dois modelos da Volkswagen e um da Fiat. Os três carros que perderam relevância são: Up, Uno e Fox.

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Poderíamos até aumentar essa lista e incluir modelos como VW Golf, Fiat Doblò, Ford EcoSport e Renault Duster, mas vamos ficar somente com esses três casos. Confira a situação do Up, do Uno e do Fox .

1. Volkswagen Up

VW Up!
Divulgação

VW Up! Extreme uma das versões que sobraram na linha 2020, vem com o bom motor 1.0 turbo flex, de três cilindros


Para um carro que estreou no Brasil como uma nova solução de mobilidade, trazendo um eficiente motor de três cilindros e alto nível de segurança, o momento do Up é absolutamente pífio. No acumulado de janeiro a maio, o Up vendeu apenas 4.949 unidades, uma marca lamentável perante o envelhecido Gol, da própria Volkswagen, que já emplacou 31.647 unidades e vive um bom momento.

O Up teve uma trajetória de erros e o máximo que lhe restou foi uma boa imagem perante os jornalistas especializados, pois o público o rejeitou. Enquanto isso, seus dois principais rivais, Fiat Mobi e Renault Kwid, vendem bem.

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O primeiro problema do Up sempre foi o preço. Ele já nasceu caro, por trazer bons equipamentos de segurança e excelente construção. Mas não foi só isso. O carro foi mal lançado, com uma propaganda que não “vendia” seus verdadeiros benefícios.

Para além disso, o Up desagradou o público com seu acabamento espartano, com lataria à mostra no interior, e só recebeu uma boa comunicação quando chegou a versão TSI, com motor 1.0 turbo. Mas era tarde. E pior: ficou ainda mais caro. Pior ainda: havia uma oferta tão grande de versões que era preciso ter uma planilha de excell para entender qual era a melhor compra.

O Up também foi reposicionado para cima, depois para baixo e depois para cima novamente. A sensação que temos é que a Volkswagen não sabe o que quer do Up. Hoje, até mesmo a comunicação do carro é falha, pois ele não tem mais as anunciadas cinco estrelas no teste de impacto do Latin NCAP. Teria, se mantivesse os airbags laterais que lhe deram a boa nota, mas hoje são só os dois airbags obrigatórios por lei. Triste destino para um carro amado pelos especialistas.

2. Fiat Uno

Fiat Uno prata
Divulgação

Fiat Uno Way voltou a ser oferecido para tentar despertar um pouco mais de interesse nas lojas da marca italiana


A história do Uno é uma das mais ricas da indústria brasileira. Criado por Giugiaro para os anos 1980, o Uno modificou o mercado brasileiro ao ganhar a versão Mille, xodó do mercado nos anos 1990. Desde a nova geração, entretanto, o Uno nunca mais foi o mesmo. O carro adotou a velha forma quadrada, porém com bordas arredondadas.

Funcionou num primeiro momento. Depois, o design cansou. O Uno envelheceu rapidamente. Para piorar, o Palio passou a ser o carro mais acessível da Fiat. Depois chegou o Mobi. Hoje o Fiat Uno tem apenas 7.772 vendas acumuladas, contra 21.736 do Mobi. É uma vitória do marketing sobre a razão, pois o Uno, pelo menos, é um carro pensado por inteiro, enquanto o Mobi é um catado de vários carros.

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Assim como aconteceu com outros carros populares, o Fiat Uno também foi vítima de vários testes do fabricante. Ora ganhava uma versão esportiva, ora ganhava um motor modificado, depois voltava para o motor antigo, eventualmente tinha um equipamento de carros mais caros, enfim, nada que lembrasse a estratégia vencedora e firme do primeiro Fiat Uno. E, ao contrário do Uno da primeira geração, o Uno atual é um projeto apenas brasileiro.

3. Volkswagen Fox

VW Fox preta
Divulgação

Volkswagen Fox continua firme na linha da marca alemã, que constatou até um ligeiro aumento nas vendas ultimamente

Aqui mesmo na República do Automóvel publicamos, quando surgiu o Polo, um artigo sobre o triste destino que aguardava o Fox. Esse carro é um projeto totalmente brasileiro, criado pelo designer Luiz Alberto Veiga, que pessoalmente convenceu a matriz a autorizar a fabricação de um carro pensado de dentro para fora.

O resultado foi um carro espaçoso por dentro e compacto por fora. E duramente muitos anos o Fox funcionou bem na linha Volks, inclusive com a versão CrossFox fazendo bastante sucesso. Deu origem até a uma perua, a SpaceFox, e à sua versão aventureira, a SpaceCross.

Hoje, o Fox é um carro marcado para morrer. A Volkswagen não tem mais dinheiro disponível para antigas aventuras, como a de fazer carros especialmente ao gosto do consumidor brasileiro. Hoje a política é de controle total de custos (não é diferente em outras marcas).

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O Fox ainda vende razoavelmente bem. Conseguiu 18.160 emplacamentos de janeiro a maio. Mas é pouco diante dos 26.598 do Polo, que ocupou seu lugar. Quando vier o novo Gol, que seguramente será superior ao carro que a Volks vende atualmente no Brasil e na Argentina, o Fox terá cumprido sua missão.

Por se tratar de um carro com todo o investimento pago, talvez alguma boa alma em São Bernardo do Campo tente lhe dar uma sobrevida como a da Kombi. Mas eu duvido, pois a Kombi tinha uma função social e uma história mais rica. O Fox , infelizmente, cairá no esquecimento.

Fonte: IG CARROS