‘Exército era para proteger’, diz sogro de músico morto em carro fuzilado

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Evaldo dos Santos Rosa
Reprodução/redes sociais

Evaldo dos Santos Rosa foi morto pelo Exército quando estava a caminho de um chá de bebê

Sérgio Gonçalves de Araújo, de 59 anos, é sogro de Evaldo dos Santos Rosa, fuzilado por militares do Exército na semana passada, e estava sentado no banco do carona do carro que o músico dirigia quando foi morto. Baleado nas costas, ele foi internado no Hospital Albert Shweitzer, em Realengo, e teve alta na última quinta-feira (11). Em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo , o sobrevivente deu detalhes do crime.

“Nunca pensamos que isso vai acontecer com a gente. Jamais vindo das Forças Armadas, principalmente do Exército Brasileiro, que é para proteger a gente”, disse.

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Segundo o sogro de Evaldo, ele foi morto logo na primeira rajada de tiros disparada pelos militares. Sérgio diz que sobreviveu porque se escondeu debaixo do painel do carro depois de ver que Evaldo havia sido atingido.

“Quando entramos na estrada em que estava o Exército, eles começaram a metralhar a gente, e ele morreu no meu ombro, na primeira rajada de tiros. Aí, veio um morador da área que tentou socorrer o meu genro. Bateu na porta. Quando eu abri, começou de novo a rajada de tiros. Eu me escondi debaixo do painel do carro. Fui atingido aqui atrás, nas minhas costas, de raspão”, contou Sérgio.

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A auxiliar de enfermagem Luciana dos Santos, mulher de Evaldo, que estava no banco traseiro com o filho de 7 anos e uma amiga, também fez um desabafo. Ela ia com a família para um chá de bebê, na Baixada Fluminense , quando o carro foi alvo dos disparos, em Guadalupe, na Zona Norte.

“Destruiu a minha família, destruiu meu sorriso, destruiu a minha força de viver, destruiu a minha autoestima, estou sem chão”, disse Luciana sobre a ação do Exército .