Ainda sem prestar depoimento, Queiroz aparece dançando no hospital em vídeo

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Fabrício Queiroz teve alta do Hospital Albert Einstein na última terça-feira (8)
Reprodução

Fabrício Queiroz teve alta do Hospital Albert Einstein na última terça-feira (8)

O ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Fabrício Queiroz, segue sem prestar depoimento ao Ministério Público para explicar transações bancárias suspeitas. O motorista, porém, voltou a ser criticado nas redes sociais neste sábado (12) depois que um vídeo em que aparece dançando no hospital vazou.

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As imagens teriam sido gravadas pela filha de Fabrício Queiroz em um momento de descontração da família. O ex-assessor foi operado nesta semana como parte do tratamento contra um câncer.

No vídeo, o ex-motorista de Flávio Bolsonaro dança junto com o suporte do soro que carregava no momento. Ele aparece ao lado de sua esposa e de sua filha, dando risadas e se divertindo.

ex-assessor teve alta no início da última terça-feira (8), depois de uma operação para retirada de um tumor no intestino. Devido ao tratamento, ele não compareceu a duas audiências marcadas no Ministério Público federal do Rio de Janeiro.

De acordo com o advogado da família, após a cirurgia, ele passará por uma bateria de exames para saber qual o tratamento quimioterápico mais adequado e os familiares seguirão na capital paulista para acompanhar o tratamento, frustrando os planos do Ministério Público de conseguir esclarecer o caso.

Entenda o caso Queiroz


Fabrício Queiroz atuou no gabinete do deputado Flávio Bolsonaro, filho do presidente
Reprodução/Facebook

Fabrício Queiroz atuou no gabinete do deputado Flávio Bolsonaro, filho do presidente

O Ministério Público quer esclarecer as movimentações financeiras atípicas nas contas do ex-assessor identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo o órgão responsável por esse tipo de investigação, ele recebia sistematicamente transferências bancárias e depósitos feitos por oito funcionários que trabalharam ou ainda trabalham no gabinete parlamentar de Flávio Bolsonaro na Alerj. Os valores suspeitos giram em torno de R$ 1,2 milhão.

Entre as movimentações financeiras atípicas registradas pelo Coaf, há também a compensação de um cheque de R$ 24 mil pago à primeira-dama, Michelle Bolsonaro, além de saques fracionados em espécie no mesmo valor dos depósitos suspeitos feitos na véspera. Em entrevista, o novo presidente afirma que o cheque é parte do pagamento de uma dívida de R$ 40 mil e que era possível que mais depósitos surgissem.

Já o ex-assessor que faltou duas vezes ao depoimento marcado no Ministério Público alegando que está com câncer, disse, em entrevista ao SBT dois dias depois da segunda data marcada , que o valor em dinheiro que movimentou em suas contas é fruto da compra e venda de veículos usados e que ele é um “homem de negócios”.

Ele não explicou, porém, porque recebeu tantos depósitos de outros assessores e ex-funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro em sua conta e nem a origem do dinheiro. Limitou-se a dizer que vai esclarecer o assunto ao Ministério Público, mesmo não tendo comparecido nas duas primeiras datas marcadas.

No entanto, umas das movimentações suspeitas é justamente de Nathalia Melo, filha do ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro e funcionária do gabinete do próprio Jair Bolsonaro, na Câmara dos Deputados, em Brasília. Lá, ela mudou de cargo duas vezes, e nos últimos meses como secretária parlamentar recebeu um salário bruto de R$ 10.088,42. 

Apesar de ter sido contratada em dezembro de 2016 com regime de 40 horas semanais, clientes que contratavam a educadora física certificada em eletroestimulação como personal trainer relataram que ela prestava atendimento rotineiramente em dias úteis e horário comercial, no Rio de Janeiro. O registro de frequência dos secretários, por sua vez, é feito pelos próprios gabinetes e encaminhado à Câmara que realiza os pagamentos.

Antes disso, em 2007, aos 18 anos, Nathalia começou a atuar na vice-lideraná do PP, então sigla de Flávio Bolsonaro, onde ficou até fevereiro de 2011. Já de agosto do mesmo ano até dezembro de 2016, ela esteve lotada no gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Sabe-se, porém, que quando ainda era servidora da Alerj, entre 2011 e 2012, Nathalia também trabalhava como recepcionista numa academia que fica em um shopping no Rio de Janeiro e foi contratada para participar de eventos de fitness também em horários comerciais de dias úteis.

No relatório do Coaf, o nome de Nathalia está associado a uma transferência de R$ 84 mil para a conta do pai dela, Fabrício de Queiroz, ao longo de 13 meses, incluindo o período em que ela já era assessora no gabinete de Jair Bolsonaro.